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Sínodo arquidiocesano: Ouvir o que o Espírito diz à Igreja

A Igreja nasce da fé na Palavra de Deus e também subsiste, renovase e cumpre sua missão na medida em que permanece fiel à Palavra de Deus. A Mensagem Final da Assembleia do Sínodo dos Bispos de 2012 dizia que a Igreja é a “casa da Palavra de Deus”, cheia da Palavra de Deus, em todos os cantos permeada por ela. 

Vale também dizer que a Palavra de Deus é a “casa da Igreja”, na medida em que a Igreja precisa estar inteiramente ambientada na Palavra de Deus. Na ordenação episcopal, há um rito bonito que significa isso: após a imposição das mãos ao novo bispo, dois diáconos seguram o livro dos Santos Evangelhos, aberto, em forma de telhado sobre sua cabeça. O bispo deve estar inteiramente sob a autoridade da Palavra de Deus, a serviço dela e conduzido por ela. Assim também é com a Igreja.

Por aí compreendemos como é importante voltar constantemente à Palavra de Deus, meditá-la dia e noite e tê-la como luz e guia para nosso discernimento e para as decisões que devemos tomar. Compreendemos, então, o motivo da “urgência” de sermos, como arquidiocese, paróquia e qualquer outra expressão eclesial, uma “comunidade animada pela Palavra de Deus”, conforme consta no 12º Plano de Pastoral de nossa Arquidiocese (2017-2010). Isso também precisa ser tomado em consideração na celebração do sínodo arquidiocesano, que estamos preparando.

O Papa Francisco nos recorda que “toda evangelização está fundada sobre a Palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada. A Sagrada Escritura é fonte da evangelização. Por isso, é preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra. A Igreja não evangeliza sem deixarse evangelizar continuamente. A Palavra de Deus precisa tornar-se cada vez mais o coração de toda atividade eclesial. Ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, a Palavra alimenta e fortalece interiormente os cristãos e os torna capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária” (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium , 174). 

O caminho sinodal da arquidiocese deverá ser marcado pela escuta e acolhida da Palavra de Deus, para “ouvir o que o Espírito diz à Igreja” de São Paulo. Para tanto, precisamos todos colocarnos em atitude de atenta abertura e acolhida, movidos pela fé e animados pelo desejo de realizar bem a nossa parte na vida e na missão da Igreja. No livro do Apocalipse, o vidente e mensageiro da Palavra de Deus dirigese às sete comunidades da Igreja na Ásia Menor e as conclama a “ouvir o que o Espírito diz à Igreja”. A cada uma delas, o Espírito Santo manifesta como elas estão e o que precisam fazer. Acho que elas estavam precisando de um sínodo… 

O Espírito Santo fala através das Escrituras, lidas e acolhidas com fé e no desejo sincero de “ouvir Deus”. Mas, também fala através da Igreja, que anuncia essa mesma palavra e, fazendo o discernimento das realidades deste mundo à luz da Palavra de Deus, chama à conversão. Atualmente, a Igreja está indicando um novo processo de evangelização e a formar comunidades missionárias, a se preocupar com a renovação da vida cristã pessoal e eclesial, e não apenas com a sua mera manutenção. O Espírito Santo também fala através das circunstâncias. O Papa Francisco tem falado muitas vezes da superação do fechamento em nós mesmos e da indiferença diante do clamor dos irmãos e das realidades ao nosso redor. A situação religiosa do nosso ambiente, da própria Igreja e de suas organizações e instituições é também “lugar” onde o Espírito Santo fala.

Por isso, na fase paroquial do sínodo arquidiocesano, em 2018, teremos a reflexão sobre a realidade eclesial e social, à luz da Palavra de Deus, para ouvir o que o Espírito Santo está a dizer à nossa Igreja em São Paulo. No segundo momento, ainda na fase paroquial do sínodo, haverá um levantamento da realidade social e religiosa, para continuarmos esse processo de escuta do Espírito de Deus. 

Nas etapas sucessivas, o sínodo arquidiocesano continuará a promover esse processo de discernimento sobre a vida e a missão da nossa Igreja na cidade de São Paulo. Sempre atenta ao Espírito Santo, ela deverá chegar a indicações que ajudem a promover aquilo que se enuncia, como grande propósito, no tema do sínodo: “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária” de toda a nossa arquidiocese.

 

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Artigo publicado no jornal “O SÃO PAULO”, edição 27/09/2017




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