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Palavra do cardeal › 06/08/2021

Senhor, Deus de nossos pais!

Acabamos de celebrar pela primeira vez o Dia dos Avós e dos Idosos, instituído pelo Papa Francisco para ser comemorado em toda a Igreja no 4º domingo de julho a cada ano. A feliz iniciativa do Papa tem um significado profundamente humanizador numa cultura que valoriza demais, em detrimento dos idosos e de outras categorias sociais mais frágeis, a força, a competitividade e a produtividade econômica. As pessoas idosas não podem ser desconsideradas nem deixadas de lado. Os idosos são importantes para a vida comunitária e para a cultura, pois são guardiões da memória e dos valores da pessoa e da vida, por assegurarem o elo de transmissão desses valores às novas gerações.

O Papa também destaca a importância dos idosos para a vida e a missão da Igreja. Eles são testemunhas da fé e do amor que se doa sem reservas, bem como da esperança que não desilude, pois não se baseia nas próprias seguranças, mas na fé no Deus vivo e fiel. O testemunho de fé das pessoas idosas é de suma importância, sobretudo para as crianças e os jovens. Mas também faz bem aos adultos e pessoas cheias de vigor e autoconfiança.

No dia 26 de julho, lembramos os avós de Jesus, São Joaquim e Sant’Ana, pais de Maria Santíssima. São Joaquim, homem que creu e esperou contra toda esperança humana e foi atendido. Ana é retratada como a mãe-catequista e mestra de sabedoria, sentada em sua “cátedra”, com livro na mão e o dedo apontando para o céu. Aos seus pés está a filha, Maria, ainda criança e toda atenta às palavras da mãe. Ana é a mãe, avó, mestra e catequista, que conta às novas gerações as histórias da fé do seu povo. A fé em Deus é vivida e transmitida em família, de geração em geração, não apenas como tradição cultural identificadora de um povo, mas como experiência vivida e testemunhada.

Quem dera que nossas casas continuassem a ser as “igrejas domésticas”, onde o cultivo da fé fosse valorizado da mesma forma que se valoriza o alimento de cada dia! Deseja também hoje a mãe Igreja que as crianças e os adolescentes tenham a sua primeira experiência de fé nos lares cristãos, onde aprendem a reconhecer, amar e respeitar a Deus e onde conheçam e cultivem a vinculação com a grande família de Deus, a Igreja de Jesus! A primeira iniciação à prática da fé e da vida cristã precisa começar na família!

A oração inicial da missa, na festa de São Joaquim e Sant’Ana, inicia com a seguinte invocação de Deus: “Senhor Deus de nossos pais!”. Essa pérola da Liturgia é tomada das invocações de Deus no Antigo Testamento. O “Deus dos pais”, de Abraão, Isaac, Jacó, Davi, dos patriarcas e profetas, o Deus de Maria e José, o Deus de Jesus, dos apóstolos, dos mártires e santos, de todos aqueles que creram com a Igreja, povo de Deus, ao longo da história. É o Deus fiel, que não renega as suas promessas, e em quem esperaram tantos antes de nós e em quem também nós depositamos a nossa confiança. Para o povo de Deus da Bíblia, abandonar a fé dos pais era uma coisa impensável, um erro e um empobrecimento cultural muito grande e a perda da própria identidade.

Para nós, cristãos, a invocação “Senhor Deus de nossos pais” equivale a dizer: “Senhor Deus dos apóstolos, dos mártires e santos” de todos os tempos. Isso nos recorda que não estamos sozinhos no caminho de nossa fé. Estamos em família e temos os grandes mestres e testemunhas da fé como referências daquilo que cremos e professamos. Não somos os primeiros a crer assim, nem fomos nós que inventamos nossa profissão de fé, mas a recebemos como um patrimônio de família, uma herança preciosa que nos conforta e dá confiança e serenidade. Crer como os apóstolos e ser companheiros com eles no caminho da fé não significa pouco!

Crer como Santo Agostinho, São João Crisóstomo, Santo Tomás de Aquino, São Francisco de Assis, Santa Teresa de Jesus, Santa Teresinha do Menino Jesus, São João Paulo II e uma infinidade de testemunhas da fé, tão mais sábios e santos que nós, traz-nos serenidade e segurança no caminho de nossa fé. Eles são nossos pais na fé, nossos irmãos maiores, as felizes testemunhas da fidelidade de Deus às suas promessas! Para o povo da Bíblia era impensável trocar de religião e abandonar a religião dos pais, uma verdadeira insensatez! Não seria o mesmo para nós também?

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Publicado em O SÃO PAULO, na edição de 28/07/2021




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