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Palavra do cardeal › 23/04/2018

Formar padres para a nova evangelização

A formação sacerdotal é o tema principal da 56ª assembleia geral da CNBB, reunida em Aparecida de 11 a 20 de abril. A assembleia dedicou um bom tempo para refletir sobre a questão, elaborar, votar e aprovar um documento denso sobre o tema.

A Igreja dá grande importância à formação dos padres, que são os principais colaboradores do bispo nas responsabilidades pela vida e a missão da Igreja em uma diocese. Por isso, existem normas universais para a formação sacerdotal, emanadas pela Congregação para o Clero, na Santa Sé, válidas para a Igreja no mundo inteiro. E em cada país, a Conferência Episcopal está encarregada de aprovar normas particulares, a partir das universais, para sua realidade local.

Bem isso está acontecendo agora. A Santa Sé renovou as suas normas para a formação sacerdotal no início de 2017. E a CNBB está acolhendo essas novas normas nas diretrizes nacionais para a formação sacerdotal. Mudou muito? Nem tanto. De fato, as novas normas devem orientar a formação dos padres para responderem melhor aos desafios atuais e às exigências da cultura contemporânea. Há um grande destaque na formação humana, na formação pastoral e missionária. Há a preocupação inegável de formar melhor o clero para promover a nova evangelização, com toda a sua complexidade. Há também a preocupação de situar melhor a formação sacerdotal na mudança de época que atravessamos.

A Igreja Católica tem no ministério ordenado dos bispos e presbíteros um dos seus pilares constitutivos e indispensáveis. O bispo e o padre desempenham a missão de Jesus Cristo sacerdote, pastor e mestre no meio do seu povo. Por isso, a falta do ministro ordenado deixaria a comunidade sem a presença sacramental de Jesus Cristo e seria como um rebanho sem pastor. Os padres não são meros funcionários do sagrado nem profissionais dos ritos. Em nome de Cristo, e por seu encargo, eles são pastores do povo, sacerdotes para a glória de Deus e a santificação do povo, mestres da Palavra de Deus, que os instruem e orientam nos caminhos de Deus. Em nome e por mandato de Cristo, cabeça do corpo da Igreja, os sacerdotes estão à frente da comunidade para reunir e conduzir o povo nos caminhos do reino de Deus e para o animar na caridade.

Para missão tão alta, os presbíteros devem preparar-se muito bem. As Diretrizes para a formação sacerdotal preveem duas etapas na vida dos padres: formação inicial, antes da ordenação, e formação permanente, após a ordenação, ao longo de toda a vida. A formação já começa com a pastoral vocacional, para o despertar de vocações sacerdotais e seu acompanhamento e discernimento inicial. Em seguida, vem o Seminário Propedêutico, em que, durante um período de um ou dois anos, o vocacionado já faz um discernimento mais aprofundado sobre sua vocação e decide se prossegue no Seminário.

Vem, em seguida, o Seminário propriamente dito. Numa primeira etapa, durante os estudos filosóficos de três anos, o seminarista é acompanhado pelos seus formadores para se tornar um verdadeiro cristão e discípulo de Cristo. Não se pode ser padre sem ser um bom cristão. Terminada essa etapa, também chamada “discipular” nas novas Diretrizes da Santa Sé, o seminarista faz os estudos teológicos na Faculdade de Teologia, sendo acompanhado pelos seus formadores na formação para a identificação com Cristo sacerdote. Durante essa etapa, o candidato ao sacerdócio se prepara para receber a ordenação diaconal e sacerdotal e para iniciar o exercício do seu ministério.

As novas Diretrizes deixam bem claro que, após a ordenação sacerdotal, a formação sacerdotal continua e dura a vida inteira. Ninguém está formado de uma vez para sempre, mesmo nos vários campos da vida profissional. E a Igreja insiste que o padre deve buscar pessoalmente essa formação, mediante o estudo, as leituras, os cursos de aprofundamento, os exercícios espirituais e de muitas outras formas. O Papa São João Paulo II dizia que a formação permanente do padre é um dever do padre e um direito do povo. As dioceses e congregações religiosas têm a missão de proporcionar ocasiões de formação permanente para seus presbíteros.

Quem pode formar padres na Igreja? Mais uma vez: a Igreja leva muito a sério a formação dos seus padres. Somente os bispos e os superiores das Congregações religiosas aprovadas pela Santa Sé podem fazer isso. Qualquer outra iniciativa de formação sacerdotal na Igreja deve estar sob a responsabilidade deles.

Cardeal Odilo Pedro Sherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Publicado em O SÃO PAULO, na edição de 18/04/2018

Por Arquidiocese de São Paulo




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