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Palavra do cardeal › 21/05/2015

Beato Luís Caburlotto

A famosa praça de São Marcos, em Veneza, estava tomada de povo. Não eram os turistas de todos os dias, que visitam a cidade aos milhares e se extasiam ao contemplar os mosaicos da basílica de São Marcos, a torre alta de tijolos e os edifícios harmônicos que compõem um dos cenários urbanos mais bonitos e conhecidos do mundo: no dia 16 de maio passado, foram paroquianos de Veneza e peregrinos de diversos países que encheram a praça, em composta assembleia litúrgica, para acompanhar a beatificação do Padre Luís Caburlotto.

Nascido em Veneza em 07.06.1817, filho de gondoleiro, o mais veneziano dos trabalhadores, o menino recebeu sólida educação humana e cristã. Depois dos estudos no seminário de Veneza, foi ordenado sacerdote na basílica de São Marcos, em 24 de setembro de 1842. Em meados do século 19, os tempos eram difíceis em toda Itália: depois da era napoleônica, e em plena revolução industrial, havia crise econômica, migrações, êxodo rural, falta de infraestrutura nas cidades, desemprego, pobreza difusa, violência… Além das tensões ideológicas entre “liberais” e “integristas”, a crise moral e a desestruturação familiar eram marcantes. Será forçado ver aí semelhanças com a situação atual do Brasil, bem 150 anos depois?!

Padre Caburlotto foi encarregado de uma paróquia da periferia pobre de Veneza, com muita violência, abandono da infância, falta de escola, desintegração da família e degradação dos costumes. Além da pobreza, os paroquianos haviam também perdido as referências morais. Sem demora, arregaçou as mangas para ajudar o povo da paróquia San Giacomo dell’Orio; sua primeira preocupação foi dar escola e educação às crianças, com atenção especial para as meninas pobres, vítimas de frequentes abusos

O padre olhava longe e queria prepará-las para o futuro: um dia, elas se casariam, seriam mães e poderiam educar bem os filhos e cuidar de suas famílias. Bem depressa, apareceu a ajuda voluntária e providencial de uma jovem senhora, que compreendeu o ideal e a preocupação do pároco e se dispôs a ajudá-lo. Foi o início da Congregação das Filhas de São José, uma Congregação religiosa com o carisma da educação. As religiosas, orientadas pelo Padre Caburlotto, ocuparam-se com escolas, casas para meninas órfãs ou com famílias desestruturadas e em dificuldades.

Ele compreendeu o quanto a educação era importante para o futuro das crianças e jovens; por isso, passou a dedicar-se também à escola para meninos e rapazes e aceitou a direção de importantes instituições públicas de educação em Veneza. Não permitiu que a educação fosse aprisionada nas lutas ideológicas entre liberais anticlericais e conservadores fechados, mas defendeu, acima de tudo, o direito das pessoas à boa educação, como condição para formar cidadãos livres e pessoas de bem. Por outro lado, teve a preocupação de promover a educação com valores morais; em todas as suas escolhas, sempre honrou os valores cristãos na educação.

Padre Caburlotto, educador visionário, faleceu em 07.07.1897, depois de ver bem consolidado o seu trabalho e também a Congregação das Filhas de São José. Elas estão presentes em vários países; em São Paulo, elas têm um colégio na Vila Matilde e outro em Santo André; mas também estão presentes em outros Estados do Brasil. A educação é motivo de constante preocupação também entre nós e a beatificação desse sacerdote educador, sem dúvida, é um sinal da Providência para que demos renovada atenção e importância à presença educadora da Igreja junto às crianças e jovens. Esse é um aspecto importante da missão da Igreja, que não pode ser abandonado.

Santos fazem santos. O menino Luís Caburlotto frequentou a escola dos Bem-aventurados irmãos Cavanis, fundadores de uma Congregação voltada para a educação, também eles; deles recebeu ótima formação cristã. Depois, como sacerdote, teve como bispo e Patriarca de Veneza aquele que se tornaria, mais tarde, o Papa São Pio 10º, que também o assistiu na hora do falecimento. A santidade é contagiante…

Na conclusão da beatificação, debaixo de um sol forte de primavera, o atual Patriarca de Veneza, Francesco Moraglia, aplicou ao beato Luís Caburlotto os pensamentos do Papa Francisco: esse sacerdote foi um verdadeiro missionário, que saiu ao encontro das pessoas nas periferias e se fez próximo delas; foi um verdadeiro bom pastor, com “o cheiro das ovelhas”, que se dedicou a elas com todas as suas energias…

 

Publicado no jornal O SÃO PAULO, edição 3052, de 20 a 26 de maio de 2015,
Dom Odilo Pedro Scherer




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