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Artigos, Palavra do cardeal › 09/12/2017

A política tem jeito?

Dizer que a política está em crise já virou lugar-comum. A política anda em baixa, gozando de pouca credibilidade pública, e não é para menos. Motivos para isso são os fatos de má política e os intermináveis escândalos de corrupção envolvendo personagens públicos.

Somam-se a isso a escassez de propostas de interesse coletivo em partidos que por vezes não passam de legendas para abocanhar verbas do Fundo Partidário, a carência de debates políticos de qualidade, o corporativismo e o poder posto a serviço de setores, muitas vezes, minoritários da sociedade ou de grupos econômicos e financeiros, em vez da promoção do interesse mais geral da sociedade.

Para o cidadão também é motivo de perplexidade e desconfiança a política demasiadamente polarizada, que se expressa em ataques pessoais sistemáticos a adversários, não importando o teor das propostas em questão. Não admira que a cidadania fique distante das discussões políticas e os jovens, sobretudo, não se interessem por elas.

A política, no entanto, é essencial à convivência social e à consecução do bem comum. Naturalmente, a boa política. E essa não cai do céu, nem é um produto de consumo que se possa adquirir na bolsa, no atacado ou no varejo. É fruto de um esforço paciente, lúcido e perseverante do conjunto da sociedade. Haveria outra saída? Sem acreditar na possibilidade de uma política de boa qualidade, os caminhos a percorrer poderiam ser três: a anarquia, o exercício autoritário do poder ou a aspiração enganosa por salvadores da pátria, a quem confiar a tarefa que, supostamente, a sociedade não seria capaz de assumir com suficiente autonomia e maturidade.

Nenhum desses caminhos é desejável. A democracia, com seus defeitos e fragilidades, continua sendo o melhor regime para o exercício da política. É preciso apostar na reabilitação da boa política, que não se restringe à busca do poder voltado para interesses corporativistas ou ambições apenas pessoais. Entrar num ano eleitoral sem acreditar na prática democrática poderia ser muito ruim, até mesmo desastroso, para o Brasil.

Em que consiste a boa política? Sem a pretensão de dizer novidades, nem de ser exaustivo, mas como parte da sociedade civil que olha com perplexidade e preocupação o quadro político atual do Brasil e sente a necessidade de uma profunda renovação e melhora da vida política, ouso apresentar uma contribuição para a reflexão.

O papa Francisco, em recente mensagem dirigida a um grupo de políticos (Bogotá, 1.º/12), deu algumas indicações fundamentais para o exercício da boa política. Antes de tudo, a pessoa humana, com sua inalienável dignidade e seus direitos fundamentais, deve estar sempre no centro da ação política. A pessoa humana ou partes da sociedade nunca devem ser sacrificadas em função de frias metas econômicas, ou de outros eventuais interesses. Esse princípio já seria suficiente para uma boa avaliação dos programas de partidos e governos.

Considerando que todas as pessoas são iguais em dignidade, deve ser respeitada e promovida uma justa hierarquia de direitos e deveres, de maneira que os direitos universais tenham prioridade sobre os secundários, ou sobre supostos direitos, que poderiam ser apenas desejos e aspirações. As pessoas não sejam tratadas, na prática, como desiguais.

A desigualdade social e econômica abissal que temos no Brasil está a significar que alguns têm mais direitos que outros e talvez devam ser considerados superiores em dignidade aos demais cidadãos. A afirmação de privilégios é uma prepotência e revela uma injustiça aberrante, que a boa política não deveria consolidar, mas corrigir.

Uma segunda recomendação do papa Francisco: que a política seja exercida como um serviço à sociedade. Não raro, a boa política pode demandar, de quem a pratica, sacrifícios nada indiferentes e até heroicos. Francisco retoma uma afirmação de seu predecessor Pio XII (1958), que se referia à política como “elevada forma de caridade”. A ação política é um serviço inestimável para a consecução do bem comum, que diz respeito ao conjunto de condições da vida social, mediante as quais as pessoas, famílias e associações podem alcançar mais facilmente a sua realização plena.

A finalidade principal da política não é a afirmação de ambições ou vaidades individuais, a derrota dos adversários e a prepotência de facções, umas sobre as outras. Nem é a afirmação de meros interesses de grupos, sem levar em conta o bem da sociedade como um todo. Muito menos ainda poderia tornar-se uma forma opressiva de controle e de ingerência onipresente na vida privada dos cidadãos.

A boa política precisa estar comprometida com o serviço à vida humana e com o ambiente da vida, nossa “casa comum”, com a promoção de condições dignas de vida para todas as pessoas, em vez do sacrifício e do descarte de cidadãos mais vulneráveis em função de metas econômicas e estratégicas, ou para assegurar privilégios a outros cidadãos. A proteção e promoção da família é investimento seguro em maior solidariedade e seguridade social.

A boa política requer gestão séria dos recursos públicos e exclui desonestidades e toda forma de corrupção, que é um atentado à justiça e ao bem comum, cujas vítimas são, sobretudo, os membros mais indefesos e fragilizados da sociedade. A boa política é exercida próxima do povo, sintonizada e solidária com suas angústias e seus sofrimentos. A ostentação e a defesa corporativista de interesses da própria classe política, em desprezo pelas carências de larga parte da população, são um escândalo.

Tem jeito a política brasileira? As escolhas estão nas mãos da cidadania. Não podemos deixar de crer que a boa política é possível. Mas é uma construção paciente, lúcida e perseverante de todos. Ela não cai do céu, nem é um produto pronto para ser consumido.

Temos de crer que sim. Mas é uma construção paciente, lúcida e perseverante de todos.

 

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo Metropolitano de São Paulo
Publicado em “O Estado de S.Paulo”, edição de 09/12/2017




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